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Brasília – Arquitetos apontam saídas para a periferia

Submitted by on Segunda-feira, 26 Abril 2010No Comment

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Era 16 de março de 1957. No Ministério da Educação e Cultura, no Rio de Janeiro, o júri do concurso para o Plano Piloto de Brasília anunciava o vencedor. Caberia a Lucio Costa a tarefa de planejar a capital que seria construída a mais de mil quilômetros do mar – na concepção do urbanista, “uma cidade derramada e concisa, bucólica e urbana, lírica e funcional”.

Era 16 de março de 1957. No Ministério da Educação e Cultura, no Rio de Janeiro, o júri do concurso para o Plano Piloto de Brasília anunciava o vencedor. Caberia a Lucio Costa a tarefa de planejar a capital que seria construída a mais de mil quilômetros do mar – na concepção do urbanista, “uma cidade derramada e concisa, bucólica e urbana, lírica e funcional”.

O resultado todo mundo conhece: a metrópole em forma de avião – ou de cruz, como diria Costa -, formada pelas asas norte e sul e suas superquadras e pelo eixo monumental, com a Praça dos Três Poderes e prédios administrativos. A fórmula, em grande parte, funcionou.

“É uma das maiores contribuições ao urbanismo do século 20″, comemorou na ocasião o jurado de maior destaque da competição, o inglês William Holford, assessor de urbanismo do governo britânico.

“O projeto eleito era sem dúvida o melhor: consistente, com ênfase na infraestrutura da cidade e realista em termos de realização”, avalia o arquiteto Milton Braga, professor da Faculdade e Urbanismo da Universidade de São Paulo e sócio do escritório MMBB.

Cinquenta anos depois, a cidade acumula sucessos e tropeços. Algumas das falhas são apontadas pelo outro pai da capital, o arquiteto Oscar Niemeyer. “A ocupação indevida dos espaços, notadamente nas proximidades do eixo monumental, e o mau gosto arquitetônico acabaram por se sobressair”, reclama ele.

Verdade também é que algumas das propostas originais nem saíram do papel, como o centro de diversões com pequenas vielas e painéis luminosos, inspirado na Times Square, de Nova York, e Piccadilly Circus, de Londres. Também não vingaram as margens do lago livres de casas, destinadas exclusivamente ao lazer da população. “Aí, a realidade econômica falou mais alto que a utopia”, afirma o arquiteto Fernando Serapião, autor do “Guia de Arquitetura Contemporânea” (Editora Viana & Mosley) e editor-executivo da revista Projeto Design.

Ainda assim, o aniversário da cidade dá razões para celebração. “O essencial do projeto se manteve”, avalia o arquiteto paulistano Pedro Paulo de Melo Saraiva, concorrente de Lucio Costa no concurso, em parceria com Julio Neves. “Até hoje a capital é inovadora e extremamente feliz na criação de superquadras que integram áreas verdes, moradia, serviços e comércio local”, complementa Braga.

Nem todos, porém, encontram lugar para viver nas cobiçadas superquadras. A cidade, planejada para 500 mil moradores, é incapaz de acomodar os 2,5 milhões de habitantes do Distrito Federal. “O plano de Lucio Costa era uma obra de arte finalizada, um objeto bem acabado. Ficaria a cargo da Novacap, a companhia criada para construir a capital, definir o que fazer quando a população ultrapassasse meio milhão”, afirma o urbanista Jeferson Tavares, estudioso da história de Brasília. “Com a falta de planejamento, coube à população de baixa renda viver nas cidades satélites, que cresceram com pouca infraestrutura.” Para combater o problema, ele defende a transferência para ali dos órgãos públicos regionais, como forma de levar empregos e qualidade de vida à periferia.

Saraiva tem outra proposta. “Seria o caso de estudar a construção de prédios menores nas superquadras para adensar a cidade, claro que com muita atenção às consequências plásticas das intervenções.” Afinal, a baixa densidade demográfica, reforçada pelos prédios de seis andares e moradias grandes, só agrava a falta de espaço. “Muitos dos apartamentos têm mais de 150 m, enquanto no Rio, por exemplo, a classe média vive em 80, 100 m”, compara ele.

Propostas à parte, como pondera Serapião, uma coisa é certa: acabou-se entre os urbanistas a pretensão de resolver apenas na prancheta as mazelas sociais do país – utopia tão comum entre os participantes do concurso de Brasília.

Via Administradores

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