Arquitetura pernambucana perdeu mais um mestre – O legado de Vital Pessoa de Melo

Vital Pessoa de Melo
“Uma arquitetura só é considerada pronta quando a gente não consegue tirar nem colocar nada”. Essa era uma das frases preferidas do arquiteto Vital Pessoa de Melo, um dos maiores nomes da arquitetura pernambucana. Vital, que morreu aos 73 anos, no último dia 18, deixou um legado não só para o estado, mas também para o país. Respeitado e admirado pelos colegas, ele, que começou a carreira trabalhando ao lado do arquiteto Acácio Gil Borsoi, seguiu seu voo próprio e deixou importantes contribuições para a escola pernambucana. Entre os projetos, que ganharam destaque estão o prédio sede da Celpe, na Avenida João de Barros, e o Edifício Sahara, em Boa Viagem.
A arquiteta e urbanista Amélia Reynaldo resume o que ele representou. “Foi um dos profissionais mais completos que já conheci nessa trajetória do urbanismo. Tinha uma grande sintonia com o movimento da arquitetura moderna nacional e particularmente da escola pernambucana”, detalhou. Uma das características do arquiteto era associar nos seus trabalhos princípios da luz, do sol, da ventilação, sem esquecer a tradição colonial. “Ele associava sua produção a outras artes. A casa dele era um pequeno museu com objetos de artistas como João Câmara. Também tinha uma paixão pela literatura. Sua obra vem acompanhada de uma grande bagagem intelectual. Não é apenas o desenho pelo desenho, mas um compromisso com a cultura local”, ressaltou Amélia.
Para o arquiteto Fernando Melo, professor do departamento de pós-graduação da Universidade Federal de Pernambuco, os projetos de Vital Pessoa de Melo resultam de investigações com grande teor lógico, matemático e geométrico. “O tratamento das fachadas é claro e objetivo com materiais utilizados de forma transparente, sem nenhum tipo de mascaramento”, escreveu Fernando Melo, em um artigo sobre o arquiteto.
O edifício sede da Celpe, projetado em 1972 junto com Reginaldo Esteves, é formado por um bloco principal interceptado por blocos menores. A característica marcante é sua fachada principal. Curva, ela cria um espaço para o jardim projetado por Burle Marx. Já o Edifício Sahara, construído em 1972, possui um volume de esquinas angulosas com rasgos de peitoris ventilados e composições de linhas verticais. Segundo o autor, o deslocamento das aberturas para as quinas foi uma forma de garantir a vista para o mar. O Sahara foi apontado em uma pesquisa do departamento de arquitetura da UFPE como um dos marcos da arquitetura moderna que deveriam ser preservados. “Infelizmente ele está sendo reformado e perdendo toda sua característica original”, apontou Fernando Diniz.
Um dos últimos trabalhos de Vital foi a ampliação do Museu do Estado. Ele trabalhou até o começo deste ano., mas precisou ser internado vítima de uma fibrose pulmonar. Chegou a ser operado em um hospital, em São Paulo, mas por causa da baixa imunidade do sistema imunológico não conseguiu se recuperar. Vital Pessoa de Melo, deixou esposa, a também arquiteta Myriam Pessoa, e cinco filhos. Desses, dois seguiram a carreira dos pais: os arquitetos Ricardo Pessoa de Melo, 44, e Flávia Pessoa de Melo, 37. “Cresci nesse meio. Acompanhando ele nas obras e nos projetos”, afirmou Ricardo. Os filhos pretendem dar continuidade ao trabalho do pai.









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