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Em São Paulo, demolição de antiga rodoviária começa a mudar a Luz

Enviado por em Terça-feira, 13 Abril 20106 Comments

Com as aplicações do Promob Arch, o profissional faz a documentação técnica e a renderização, gerando projetos com imagens quase reais, com um único programa. O software ainda possibilita a criação de animações que simulam um passeio virtual pelo ambiente projetado

Edifício de arquitetura kitsch, que serviu como terminal de ônibus entre 1961 e 1982, dará lugar até 2014 ao Teatro da Dança de SP

No centro. Terminal recebia até 2.500 ônibus por hora e afetava trânsito; na foto, rodoviária lotada nos  anos 1970

No centro. Terminal recebia até 2.500 ônibus por hora e afetava trânsito; na foto, rodoviária lotada nos anos 1970

As primeiras marretadas vieram para colocar ponto final numa história, do começo ao fim, controversa. Criticada por trazer criminalidade, poluição e trânsito desde sua inauguração, em 25 de janeiro de 1961, a antiga Estação Rodoviária de São Paulo, em frente à Praça Júlio Prestes, na Luz, começou a ser demolida no fim do março. Ontem pela manhã, retroescavadeiras e guindastes começaram a transformar um dos grandes monumentos à arquitetura kitsch da cidade – os losangos coloridos da fachada do prédio – em pedaços de vidro e ferro retorcido.

A demolição é o primeiro passo para a construção do Complexo Cultural Luz, que abrigará o Teatro da Dança de São Paulo, obra orçada em R$ 600 milhões, com projeto do escritório suíço Herzog & De Meuron – e cujo custo inicial, segundo a Secretaria de Estado da Cultura, não ultrapassaria os R$ 300 milhões. A demolição deve ser finalizada em outubro, e as obras no local começam em janeiro de 2011. A previsão de inauguração do complexo é 2014.

A antiga rodoviária – desativada em 1982 e cujo prédio foi desapropriado em 2007 por R$ 34 milhões, depois de quase duas décadas abrigando um shopping popular de confecções – foi palco de polêmica logo no primeiro mês de funcionamento. Moradores dos Campos Elísios, no centro, falavam de aumento imediato da criminalidade – “até 60%” de aumento nos furtos e roubos – e trânsito “infernal” na região. Mesmo para os 2.500 ônibus que chegavam e saíam do terminal diariamente, o tráfego já era difícil. Para deixar um dos boxes e chegar à rua em horários de pico, os ônibus levavam até uma hora, em trajeto de menos de 200 metros.

“Não houve planejamento para instalar ali a rodoviária. Até por isso o prédio durou relativamente pouco. Os ônibus tinham dificuldade para sair e chegar”, disse o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim. “Historicamente, rodoviárias já contribuem para a degradação da região, principalmente as que não são integradas com transportes rápidos, como o metrô. Depois, com sua desativação, houve uma estrutura ociosa de hotéis e bares que se tornaram alvo fácil para a degradação da área”, explicou.

Refresco. A antiga rodoviária foi construída na administração Adhemar de Barros, em terreno de 19 mil metros quadrados – mesma medida desapropriada em 2007, para construção do Teatro da Dança. Como elementos marcantes do local, havia as pastilhas coloridas nas paredes internas e o chafariz no hall central, apontado por usuários da antiga estação como “refresco” em meio à poluição dos escapamentos dos ônibus. Os operários que trabalham no local, porém, já não veem nada disso: nos últimos anos, a estrutura interna já estava modificada, por causa do shopping que lá funcionou.

Televisões a cores, peça rara nas residências paulistanas da década de 1970, também se destacavam na antiga rodoviária. Um dos primeiros locais públicos a receberem os aparelhos, o prédio atraía frequentemente paulistanos que não tinham nada que ver com viagem – queriam apenas assistir a jogos de futebol na TV.

Complexo cultural. O Complexo Cultural Luz – cujo projeto, criado por arquitetos estrangeiros, foi criticado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e alvo de polêmica com a Secretaria da Cultura – contará com três teatros, o maior com capacidade para 1.750 espectadores, e abrigará a sede da São Paulo Companhia de Dança. Também haverá escola de dança, salas de ensaios, biblioteca, auditório, café, loja, praça de convivência e estacionamento para mil veículos.

Trata-se da obra de maior vulto do governo do Estado destinada a revitalizar a região da Luz, exemplo de degradação urbana na cidade. A Prefeitura também pretende, até o fim do mês, anunciar o consórcio vencedor que irá criar o projeto da concessão urbanística da Luz, aposta da administração para revitalizar a região. “O que não pode haver é conflito entre os projetos, sob risco de a revitalização não acontecer”, afirma Wilheim. “Isso deve estar previsto no projeto de concessão.”

Cronologia


1961
Primeira estação
Antiga rodoviária é inaugurada, para centralizar partidas e chegadas de ônibus
1977
Descentralização
Com inauguração do Terminal Jabaquara, começa a descentralização de terminais
1982
Fechamento
Com inauguração do Terminal Rodoviário do Tietê, em 9 maio, estação é desativada
1988
Shopping popular
Um shopping de confecções funcionou no local
2007
Desapropriação
Prédio é desocupado

Um dos primeiros locais públicos a receberem aparelhos de televisão, a estação atraía nos anos 70 vários paulistanos que queriam apenas assistir a jogos de futebol

Um dos primeiros locais públicos a receberem aparelhos de televisão, a estação atraía nos anos 70 vários paulistanos que queriam apenas assistir a jogos de futebol

Via ESTADÃO

6 Papos »

  • Homero Santana M. Lara diz:

    Tenho poucos mas boas lembranças do antigo terminal rodoviário. Foi em 1964 e 1965, onde pude passear para a cidade natal de meu pai, com ele, em Mina Gerais. Ví alguns artistas da antiga TV Exelcior que tinha participado do seriado Vigilante Rodoviário, que foi o que levou meu irmão, se aposentar na Policia Rodoviaria. Infelismente o progresso, trouce a degradação da área, e esporo que o projeto da Prefeitura e Estado de São Paulo, possa dar nova vida ao lugar, sem esquecer a importância que a antiga rodoviaria teve para a Capital. Já que nas decadas de 60 e principalmente 70, muitos migrantes chegaram para, de alguma forma, contribuir para a grandeza desta cidade.

  • Miguel de oliveira diz:

    Estive nesta rodoviária pela ultima vez no dia 31/10/1981…
    Foi quando fui para Campinas…Vai deixar saudades pra sempre…

  • Maianah Coin diz:

    É muito triste perceber que a memória desta cidade esta sendo deixada de lado e o que é pior, sem valorizar a classe dos arquitetos de São Paulo.
    Chegar na praça e nao ver mais a antiga rodoviária me causou um grande vazio. Por alguns momentos ainda olhei em volta a procura, o painel colorido me trazia grandes lembranças de infância, uma grande perda para São Paulo, o prédio deveria ter passado por uma reestruturação e nao uma demolição, lamentável!

  • luciano fozato archiviti diz:

    Realmente aquele pianel colorido, me encantava sempre quando eu ia para Igarapava – SP , com minha familia ficava maravilhado com a beleza daquele mosaico de cores.

  • edson diz:

    poxa, que pena mas enfim em nome da modernidade os sonhos e as marcas boas de um passado, tem caido no esquecimento até mesmo de quem aproveitou e muito estas épocas passadas, poderiam ao invés de emplodirem estes monumentos usalos de alguma maneira para contar as nossas histórias em que de alguma maneira positiva marcou nossa história antiga, bem o que ou como mostraremos estes tempos aos nossos filhos!!!
    Sim ja sei infelizmente através da modernidade de um computador…
    È mas fazer o que assim como a antiga rodoviaria ja temos deixado de lado tantas histórias marcantes que derrepente se nós cultivassemos estas memórias ocularmente vivas, teriamos como dizer algo aos da cracolandia, cuidando deles tambem mostrando através de preservações e tombamentos e sendo todos estes patrimonios usados para os menos favorecido de como éra bom ou melhor vivermos de uma forma feliz com toda a simpilicidade de uma época.
    Por favor nossos políticos acordem não apenas para uma modernização e uma placa de inauguração mas sim e tambem para mantermos nossas memórias vivas podendo ver fisícamente uma história, um momento de algué ou de mim mesmo e fazer disto um ponto de partida para uma nova geração de filhos amados do nosso Brasil.

  • oswaldo diz:

    Realmente foi uma maravilha quem teve a oportunidade de conhecer o Terminal Rodoviário ” Barra Funda “! Era criança na década de 70 e, ficava encantado com o colorido dos paineis, das pessoas circulando, ou seja, o vai e vem, sem falar dos ruídos dos motores daqueles imponentes ônibus, quando meus pais que residem em São Paulo vinham para o interior na casa de meus tios. Sem dúvida somente quem teve o privilégio de viver áquela época pode sentir o que estou depondo.

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