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Nova Sede do Governo de Minas “A Cidade Administrativa”, por Oscar Niemeyer

Submitted by Emanuel Souto on Sábado, 27 Fevereiro 20107 Comments

Na próxima quarta-feira (04/03), será inagurada a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves. Localizada no bairro Serra Verde, região Norte de Belo Horizonte, a nova sede do Governo de Minas sediará 41 secretarias e órgãos da administração direta e indireta do Estado.

Palácio do Governo do Estado de Minas Gerais

O projeto da Cidade Administrativa, nova sede do Governo de Minas em Belo Horizonte é a prova máxima da capacidade de inovação e superação de Oscar Niemeyer. Entre as diversas obras do arquiteto, há somente dois centros administrativos de governo: um em Brasília, construída há exatos cinqüenta anos e, agora, um em Belo Horizonte.

Em Brasília, são vários Palácios e 17 prédios idênticos onde funcionam os ministérios. Para a nova sede do governo de Minas, Niemeyer projetou três edifícios: o Palácio Governamental e dois grandes blocos curvos com 200 metros de comprimento e com 15 andares, onde ficarão as secretarias. Segundo o próprio arquiteto, um conceito mais econômico e que preserva as áreas livres e verdes.

Composição da Cidade Administrativa:

Composição da Cidade Administrativa

A sede do Governo; dois prédios de vinte andares cada um, onde funcionarão as secretarias; unidades de apoio; estacionamentos e dois lagos. Toda a Cidade soma 804 mil metros quadrados de área total e mais de 265 mil metros quadrados de área construída.

A Sede do Governo, Palácio Tiradentes

A Sede do Governo, Palácio Tiradentes

A edificação, com quatro pavimentos, será o maior prédio suspenso do mundo, com um vão livre de 147 metros de comprimento e 26 de largura. O engenheiro José Carlos Sussekind, responsável pelos cálculos do prédio, destaca o ineditismo do projeto. “Ele não tem nenhum apoio. É um prédio único, pois tem quatro andares, é envidraçado e de concreto armado. Fora do país não temos referências de projetos semelhantes, pois os arquitetos ainda não se atreveram a tanto. As referências que temos são projetos do próprio Oscar Niemeyer feitos no Brasil, como o prédio da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, que tem um vão de 40 metros, e o Museu Nacional de Brasília, com uma cúpula de 80 metros. E em São Paulo temos o MASP, projetado por Lina Bo Bardi, com um vão livre de 80 metros”, diz ele.

O prédio abrigará cerca de 300 funcionários que trabalham na Governadoria, Vice-governadoria e Gabinete Militar. Em seu interior, contará com um salão de 1.200 metros quadrados de área, que será destinado a solenidades oficiais, biblioteca e serviços de apoio. Cada andar do Palácio tem 3 mil metros quadrados, e o gabinete do governador tem 138 metros quadrados.

O Auditório JK

O Auditório JK

Próximo à sede de Governo ficará o auditório, com quatro mil metros quadrados de área e capacidade de 490 assentos. Totalmente construída em concreto, a edificação contará com infraestrutura para apresentações, palestras e congressos oficiais.

Secretarias – Prédio Minas e Prédio Gerais

Compõem um conjunto de duas torres de 15 andares, com sete mil metros quadrados de vão livre em cada andar. Os prédios, idênticos, terão 116 mil metros quadrados de área construída e serão divididos em subsolo, pilotis, 13 andares para ocupação pelos servidores e um pavimento aberto, com paisagismo e linhas arquitetônicas próprias, compondo um ambiente diferenciado em meio aos andares de escritórios. Cada andar tem 7 mil metros quadrados. O gabinete de cada secretário tem 50 metros quadrados.

Centro de Convivência

Centro de Convivência

Construído entre as duas torres de secretarias, o centro de convivência terá forma circular e sete mil metros quadrados de área. No térreo, correios, bancos, lanchonetes e lojas de conveniência estarão à disposição dos servidores e visitantes. No primeiro andar, restaurantes oferecerão opções de alimentação ao público da Cidade Administrativa.

Depoimento de Oscar Niemeyer sobre a Cidade Administrativa à Revista Veja:

Depoimento de Oscar Niemeyer sobre a Cidade Administrativa à Revista Veja

“Acredito que é uma aula magna de arquitetura e de administração pública, pois, além de concentrar milhares de funcionários em apenas dois prédios, valoriza ao máximo as áreas livres e verdes”.

Fotografias exclusivas enviadas ao Papo de Arquiteto

Clique nas imagens para ampliar

Sede do Governo Palácio Tiradentes

Cidade Administrativa do Governo de Minas Gerais

Para fazer o download de todas as imagens, clique no link abaixo.

Sobre o Autor

Emanuel Souto escreveu cerca de 140 artigos neste site.

Estudante de arquitetura, passa o dia projetanto ambientes, fazendo leituras em sites de arquitetura e está sem rumo ainda com sua monografia. Espera ficar podre de rico com arquitetura e viajar o mundo inteiro... hahaha "vai sonhando..."

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7 Comments »

  • Renato said:

    Ótimo post, Emanuel! Fantástico esse novo projeto do Niemeyer, que eu ainda não conhecia. É interessante observar também que a Cidade Administrativa não é somente um projeto de arquitetura de encher os olhos. É uma obra que vai beneficiar os mineiros, que vai gerar economia pro governo do Estado. E, consequentemente, essa economia irá gerar recursos e benefícios para a população. A arquitetura deve servir à sociedade, e não somente aos olhos.

    O que mais impressiona no projeto do Niemeyer é o maior vão livre do mundo. Não deve ter sido fácil executar uma obra com tanta precisão e sensibilidade do maior arquiteto brasileiro. Abraço

  • karina said:

    Legal o post. Li no IG sobre essa obra. Parece que é o único prédio de governo do Brasil que levou em consideração a sustentabilidade.
    Realmente em Minas antes, as secretarias eram espalhadas por diveros endereços de BH. Agora, a população terá todos os serviços centralizados.
    Outro ponto que me chamou atenção foram as alterações na gestão e no desenvolvimento que a obra promoverá na região norte de BH. Li que a escolha do local foi estratégico, levando em consideração o aeroporto como ponto de partida para um novo projeto de desenvolvimento para BH.

    Parabéns ao governo de MInas. Sou mineira e acho que BH ganhou um belo cartão postal!

  • Felipe Crispim said:

    Interessante como Niemeyer segue os principios de Le Corbusier até hoje.
    So gostaria de saber uma coisa, ele utiliza-se, nesse projeto do andar vazado?

  • Emanuel Souto (author) said:

    Obrigado Renato, eu quem agradeço os seus comentários em nosso Portal. Recebi a informação desta Obra a menos de um ano, e me chamou muito a atenção.

    Com certeza, o maior vão livre do mundo é uma “ousadia” entanto, lembro me bem de um vídeo do Oscar falando que iria sacanear os engenheiros criando um vão sem apoio…

    Abraços. Parabéns à Minas Gerais.

  • Emanuel Souto (author) said:

    Não só a sustentabilidade, mas por todos os elementos sistêmicos que envolveram este projeto. O refletir nesta edificação vai além, ele projeta para o futuro, essa concentração de funções e atividades aumentam e muito a qualidade de vida das pessoas.

    Um dos detalhes seria justamente o transporte, o ir e vir.
    Só com isso diminuiria a quantidade de veículos, o deslocamento de pessoas para diversos pontos da cidade, convergindo num só lugar.

    Isso sim é Vida, é a Arquitetura.

  • Emanuel Souto (author) said:

    Provavelmente sim Felipe, até porque tem uma faixa central que posiciona nos Prédios Minas e Gerais, o que me falta para confirmar é realmente ver e identificar nas plantas, das quais eu não possuo.

    Entretanto, essas plantas devem estar no Arquivo Público, o que você acha de ir depois lá para conferir?

  • Gabriel_leo said:

    Tentando ser breve em minhas críticas ao projeto… Até por que não estudei muito ele para tanto.
    Um projeto ainda modernista com o maior vão… muito concreto, uso de pele de vidro, climatização artificial… até onde podemos falar de sustentabilidade…
    O mestre Niemeyer foi inovador em suas curvas e arquitetura formalista… muitos elogios e agradecimentos… Mas isso foi a uns bons anos atrás… Hoje ele serve como figura de prestigio popular em um jogo político, com afirmação de poder em sua arquitetura monumental para a política de BH, que soube escolher bem o arquiteto, com certeza o governo irá ter o retorno do alto custo do empreendimento em prestigio.
    Deixando muitas discussões em aberto, concluindo, fica perdida mais uma oportunidade de os jovens, digo novos e atualizados, arquitetos brasileiros de explorarem uma arquitetura contemporânea brasileira. Os únicos prejudicados são os estudantes e profissionais de arquitetura e urbanismo por um cartel nas obras governamentais que já acompanha nossa história a muito tempo.

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