Colagem sobre MDF, Arte e Sustentabilidade em favor da reciclagem
Artista plástico, autodidata, natural de São Paulo, vivo exclusivamente da arte da colagem. Descobri a técnica por acaso, há 20 anos, ao precisar externar meus sentimentos em uma crise emocional das bravas.
Hoje comercializo meus quadros, desenvolvo projetos e consultoria para empresas na área de sustentabilidade, ministro workshops para profissionais das áreas de educação, recursos humanos, arteterapia, entre outras, e para o público em geral.
Em tempos de aquecimento global, percebo que a arte da colagem pode atuar como importante instrumento de conscientização, muito mais eficiente, por exemplo, do que longos sermões a respeito da devastação do Planeta. A colagem transmite algo fundamental… Que para revertermos esta situação precisamos, acima de tudo, reciclar, reciclar, reciclar…

Foto: Senhor do Lixo – colagem sobre madeira descartada da produção de caixas acústicas – 33 cm – 2008
Nos idos de 1993, presenteei um grande amigo, o dentista David Moura Leite de Freitas, de Itapira – SP, com um quadro de 100 x 80 cm, composto por quadradinhos de 2 x 2 cm, com imagens das mais variadas, recortados um a um de revistas. Ele colocou o trabalho na recepção da sua clínica odontológica. Na ocasião, pude constatar a diversão proporcionada às famílias que ali permaneciam até serem atendidas.
No ano passado desenvolvi um projeto para a Editora Abril, na área de convivência do seu edifício, na Avenida Nações Unidas, em São Paulo. Durante a Semana do Meio Ambiente, permaneci cerca de dez horas por dia no local produzindo um painel de colagem com 250 x 350 cm. A idéia era mostrar o que poderia ser feito com o que não é mais utilizado pela empresa. Os funcionários eram convidados a participar da produção. O painel passou a integrar o acervo do Museu da Sustentabilidade da Praça Victor Civita.
Penso que este tipo de projeto, incluindo a decoração de espaços corporativos, tem um potencial muito grande ainda a ser explorado.
Leio e ouço falar de preservação ambiental, da necessidade de reciclagem há muito tempo, mas apenas passei a atuar mais efetivamente neste sentido ao perceber o quanto as crianças e jovens que participavam dos meus workshops poderiam, a partir de uma experiência lúdica, sair dali e imediatamente propagar o conceito, de forma prática e eficaz.
O ponto-chave para o meu despertar ecológico foi ter conhecido Dona Nêga, uma senhora de 70 anos, natural aqui da cidade em que hoje resido, Joanópolis – SP. Dona Nêga complementa sua aposentadoria recolhendo papelão, revistas e outros materiais para vendê-los à reciclagem. Tudo o que sobra de minha produção vai para ela. Vê-la, com o vigor de um jovem de 18 anos, conseguir alterar toda uma realidade de vida difícil, a partir da reciclagem, fez-me pensar muito. Se ela, sozinha, pode… Por que o Mundo não pode?
Precisamos ser atores e não apenas expectadores de todo este processo que coloca em risco a vida do Planeta. Antes de tudo, precisamos assumir nossa responsabilidade.
Prossigo aqui, como uma “formiguinha arteira”, vendendo o meu “peixe” e tentando demonstrar que a arte pode ter uma abrangência muito maior do que a demonstrada entre as quatro paredes de um museu.
*Para entrar em contato com Silvio Alvarez acesse o seu site ou mande um email.
http://www.silvioalvarez.com.br/
Contato: silvioalvarez@uol.com.br












Leave your response!