Quem manda na calçada?
Arquitetos e urbanistas gostam de dizer que calçada boa é a que passa despercebida por quem anda por ela. Segundo a Vereadora Mara Gabrilli “Isso nunca vai acontecer em São Paulo”. “As calçadas são tão horríveis que, quando aparecer uma boa, todo mundo vai reparar.”
É o caso da Avenida Paulista, reformada no ano passado. As obras foram bancadas pela prefeitura e servem de cartão-postal do Passeio Livre, programa criado em 2006 para promover a padronização do calçamento da cidade – e estimular empresas privadas a financiar projetos de recuperação. Parcerias com a iniciativa privada podem ser uma boa solução para tirar do limbo esses projetos que, segundo a lei municipal, devem ser custeados pelos proprietários dos imóveis. As ruas Oscar Freire e Avanhandava são exemplos bem-sucedidos. Mas depender de patrocinadores também pode abrir caminho para empreendimentos controversos, como o que foi suspenso pela Justiça no bairro de Santa Cecília, no fim de novembro.
Ali, a empresária da noite Lílian Gonçalves planeja transformar o passeio de um dos lados da rua Canuto do Val numa versão brasileira da calçada da fama de Hollywood – com estrelas para homenagear celebridades nacionais, a começar por Xuxa, Roberto Carlos e Pelé. As obras, iniciadas em outubro, avançaram sobre uma faixa da rua antes destinada à circulação de veículos, desapropriada para ampliar a calçada em dois metros. Apesar disso, o espaço reservado aos pedestres permanece inalterado. É que boa parte dos seis metros de pavimento é destinada às mesas e cadeiras dos cinco bares do local – que pertencem a Lílian Gonçalves.
Para não prejudicar a circulação na via, que faz parte da rota de ambulâncias da Santa Casa, as vagas de zona azul foram canceladas. Não por acaso, a associação criada para gerenciar a calçada da fama está construindo sua sede em um edifício ali em frente, com oito pisos de estacionamento que serão administrados por Lílian, claro.
Algo estranho? Leia novamente.
Via Revista Epoca SP







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